E eis que me descubro uma pessoa não namorável.
Sim, exatamente isso; pelo menos, é o que esse novo tempo vive jogando na minha cara.
Eu não dou valor as coisas de valor. Sabe essas que você quase perde o fígado para comprar só para ver alguém momentaneamente feliz e depois repetir o ciclo seguidamente e se esquecer do que realmente importa.
Ao meu ver, miudezas da vida que são as mais importantes. Que fazem a diferença. As entrelinhas principais. O alicerce que mantem tudo em pé e em ordem.
O olhar tímido, o sorriso singelo, andar de mãos dadas com quem se ama na praia, dividir um sorvete, sentar sob as pedras e assistir ao pôr do sol, ou então, ao nascer do sol. Ver as pessoas que vão e vem na rua pavimentada. Um abraço apertado, apenas ficar do lado. Sem interesse, por querer, por gostar. Se entregar.
Sentar embaixo da arvore da pracinha perto de casa e ler um livro juntos, escrever poesias, sentimentos, desenhar, rabiscar.
Ou tentar.
Ficar em seu colo, você no meu colo, uma tarde inteira com um filme qualquer na tv. De qualquer forma, eu não estaria prestando atenção no filme mesmo.
Dar flor, dar amor, dar carinho, compreensão, abraços, sorrisos, lagrimas. Dar as mãos.
Para mim, isso é a coisa mais valiosa do mundo.
Eu não preciso de roupa de marca, um colar de diamantes, ser vip na balada mais badalada do centro da cidade, de bebidas caras ou um jantar no melhor restaurante do estado.
Eu não me importo com isso.
Eu me importo com a pessoa e o que ela significa para mim. O que ela tem, é esforço do trabalho dela, é merecimento dela.
O que ela é, é o que me importa.
O porque chora, o porque fica triste, o que esconde. Quais coisas o fazem feliz, rir, cantar até desafinar. Com o que se importa, o que machuca, são todas essas pequenas coisas que formam um ser humano. Eu não vou namorar um homem que se assemelha a um galã de tv, porém que só se importe com beleza, autoimagem e todo o resto.
Eu quero alguém humano, imperfeito. Com suas manias, suas qualidades, seus defeitos e todo o resto que vem na bagagem. Eu quero alguém que saiba reconhecer seus sentimentos, que não tenha dúvidas e que se tiver, que as compartilhe. Que não esconda nada, eu já vivi sob segredos e aparências antes e eu não gosto disso. Nunca gostei. Eu quero alguém que chore, que ria, que se importe, que acredite, que se deixe levar, que tenha os pés no chão, que por vezes tenha a cabeça nas nuvens também, que sonhe, que faça virar realidade. Que não seja fútil, artificial.
E é por todos estes motivos, diante de uma sociedade que prega o ritual da beleza como se fosse a coisa mais importante do mundo, que faz com que as pessoas sejam cada vez mais ambiciosas e menos humanas. Que adora diminuir o outro por nada. Que instiga o ódio, que exerce o poder, que enferruja os sentimentos. Que as pessoas valem pelo número de curtidas, de compartilhamentos, de amigos e fotos bonitas, de uma falsa vida criada nas redes sociais para mostrar que tudo é aparentemente lindo e perfeito. Assim como na novela. Desse jeito chego a esta conclusão.
Sou alguém não-namorável.