E então, ele me perguntou novamente o que era o amor. Não satisfeito, refez a pergunta, você me ama?
Como se já esperasse uma frase pronta ou um discurso programado, até porque era assim que fora acostumado. Todos seus amores passados lhes diziam coisas pré-arranjadas usados por outro alguém. Não era um “eu te amo” verdadeiro, dito espontaneamente; dito por querer, independente se fosse recíproco ou não. Eram palavras vazias. Na verdade, talvez o mais próximo disso que tenha ouvido fora um: “gosto mais de você do que seria capaz de imaginar”. E eu tenho certeza que essa frase deve ter pipocado em sua mente por muito tempo a fim de obter respostas, nem que fosse ínfima.
Ele esperava por palavras ocas que lhe fossem convincentes, que o fizessem minimamente feliz mesmo que soubesse que talvez não seriam de todo verdadeiras. Acho que ele tinha medo da resposta.
Ele esperava por palavras ocas que lhe fossem convincentes, que o fizessem minimamente feliz mesmo que soubesse que talvez não seriam de todo verdadeiras. Acho que ele tinha medo da resposta.
E bem, eu não era convincente. Nunca fui.
Talvez eu devesse lhe explicar que não se trata de quantificar, exemplificar ou definir. Não é bem o que é, e sim, o que você sente. Uma definição para um sentimento tão incrível seria desonesta, simplista e sem sal. Palavras não saberiam descrever a intensidade, a sutileza e a tormenta que segue com tal sentimento, muito menos o que é sentir tudo isso de uma só vez.
Ao mesmo tempo.
Sem contar, as dúvidas, incertezas, inseguranças que o segue, mas acompanhado de uma doçura sem igual. Seria muito fácil dizer que eu o amava comparando a distância entre o sol e a terra, ou então, até a lua. Marte. Poderia dizer que o meu amor poderia ser medido como a extensão entre o mar e o céu, ou então, que é do tamanho da via láctea; mas ainda assim, para mim, seria simplista.
Poderia afirmar que é tão infinito quanto o universo, mas vai muito além disso.
É como se sentir vazio e cheio ao mesmo tempo.
É como se sentir vazio e cheio ao mesmo tempo.
Transbordando.
É como nadar na tormenta, se afogar e ao mesmo tempo estar salvo na orla da praia. É se sentir completo apenas por ouvir outro respirar junto ao seu. É achar um motivo para acordar sorrindo quando não se tem nenhum. É fazer a espera valer a pena e o espaço entre dois corpos diminuir, até porque quem disse que dois corpos não cabem no mesmo espaço, não conhecia um certo casal apaixonado enrolado um no outro no banco de trás do fusca.
É não ter nada e ter tudo. É ter o mundo na sua mão. É caminhar lado a lado. É estar do lado de alguém por querer ficar, por se sentir bem e não por distração, interesse ou dúvida. Para não ficar sozinho.
É não ter nada e ter tudo. É ter o mundo na sua mão. É caminhar lado a lado. É estar do lado de alguém por querer ficar, por se sentir bem e não por distração, interesse ou dúvida. Para não ficar sozinho.
Eu definitivamente não teria como enumerar cada quesito e contar-lhe. Logo cheguei a uma decisão.
Apenas lhe sorri deixando-o de semblante entristecido por acreditar que ficaria sem resposta. Aproximei-me vagarosamente de sua orelha e acabei por sussurrar: o amor não é definível, nem decifrável. Não tem como explicá-lo, e se alguém tentar será apenas palavras vazias, as que você já deve ter ouvido algumas vezes. O amor não cabe em pontos finais, ele respira nas virgulas e perdura nas reticencias. E quanto a sua pergunta, eu te amo, e o amor não vem com manual de instruções e explicações óbvias. Não há um modelo ou uma forma correta. Você apenas tem que sentir e se deixar levar.
Como as ondas do mar.
Como as ondas do mar.