Tenho medo da vida

Não, eu não tenho medo da morte,
E sim, da vida
De deixá-la passar, sem ser vivida
De observar meus próprios dias se esvaindo, sem fazer nada para mudar
Medo de estancar, seja diante de um obstáculo, em uma lembrança ruim, em alguma coisa que não valha a pena e faça com que eu perca meu caminho. Bem, já faz algum tempo em que ando perdida, sem saber onde me encontrar ou te encontrar. Talvez, eu queira algo impossível por agora. Provavelmente há muito há se aprender para estar finalmente pronta.
É assustador pensar em apenas existir, fazer parte da estatística de pessoas vivas, mas agir como se já estivesse morto há tempos. Como se não tivesse nada a ser deixado. Nada que irá ser levado adiante, nada que mostre que eu passei por aqui, que eu deixei uma marca minguada. Eu quero passar pela vida e deixar algo para alguém, seja o que for, nem que seja uma pequena marca de pegada, ou coisa assim.
Eu não preciso do meu nome espetado ali no topo do mundo para me sentir alguém importante ou especial. Mas, eu adoraria ser o topo do seu mundo. Aquele que tem uma bandeira cravada, a bandeira do nosso amor, com nossas cores e formas. Linguagem própria que nós entendemos tão bem.
Não suportaria viver uma vida em vão, acreditando em qualquer coisa para não acreditar em nada e no fim das contas, não ter fé nenhuma.
Muito menos fazer algo apenas porque todo mundo faz, ou porque se ganha muito dinheiro com isso. Eu não sou todo mundo e me contento em ganhar o mínimo, desde que eu faça algo com amor, algo que eu goste, que eu me sinta bem fazendo. Não acho justo estudar o tempo que for apenas pensando na remuneração, sem se importar se você é bom ou não.
Eu quero viver sem arrependimentos, sem pensar no ontem; porque ele já foi. Eu não quero viver em prol do passado, de momentos que se tornaram memórias de fantasmas que ainda assombram o presente e que mudam o caminho do futuro, deixando-o ainda mais incerto. Eu não quero sobreviver ao dia, não quero reclamar de coisas inúteis. Não quero ter que passar o restante de meu tempo precioso correndo atrás de dinheiro enquanto todo o resto passa. Já dizia um famoso pensador cujo o nome eu não me lembro agora “Os homens que perdem a saúde para juntar dinheiro e depois perdem o dinheiro para recuperar a saúde; por pensarem ansiosamente no futuro, esquecem o presente, de tal forma que acabam por nem viver no presente nem no futuro; vivem como se nunca fossem morrer e morrem como se nunca tivessem vivido. ” Não aplico isso somente a saúde, mas sim a toda e qualquer coisa imposta pela vida. Não quero perdê-la para entre meus últimos minutos resolver dar valor, arrepender-me e querer voltar no tempo para fazer tudo diferente. Eu não quero isso.
Eu quero passar por esta vida e me despedir dela com um sorriso. Pode ser do jeito que for. Vive-se apenas uma vez e vale a pena se viver intensamente.